Privalia bem na foto

Na contramão de grande parte do comércio eletrônico, o maior site de outlets no Brasil se aproxima do primeiro lucro de sua história. O segredo: vender aquilo que os rivais dispensam

Crédito: Silvia Costanti / Valor / Agência O Globo

Bonfá, CEO:

As empresas que continuarem a queimar dinheiro na internet não vão sobreviver (Crédito: Silvia Costanti / Valor / Agência O Globo)

Ao entrar pela porta principal da sede da subsidiária brasileira da Privalia, empresa de comércio eletrônico espanhola especializada em outlets, o visitante logo se depara com uma reforma, que está sendo feita com a intenção de modernizar o antigo espaço. A obra no prédio localizado no bairro da Chácara Santo Antônio, Zona Sul de São Paulo, é necessária. Afinal, depois de crescer dois dígitos ao ano desde a sua estreia no País, em 2009, e contratar funcionários para dar conta dos quatro milhões de pedidos por ano, o portal precisava aumentar o espaço para abrigar os seus 350 funcionários.

Ao contrário da maioria das suas rivais no comércio eletrônico, a empresa, que tem faturamento estimado em R$ 500 milhões por ano, é uma das poucas que enxerga o lucro no horizonte (leia sobre o Mercado Livre). A Privalia diz que irá atingir o seu primeiro número azul na última linha do balanço neste ano, algo ainda distante para Netshoes e Dafiti. “As empresas que continuarem a queimar dinheiro na internet não vão sobreviver”, afirma Fábio Bonfá, CEO da Privalia. A crise econômica ajudou a empresa a crescer e faturar alto.

O segredo do negócio, aparentemente, é comer pelas beiradas e vender aquilo que as concorrentes dispensam: o refugo das prateleiras, especialmente roupas de estações passadas. Com a queda nas vendas no varejo convencional, os estoques das marcas encalharam. Ótima notícia para a Privalia, que depende dessas sobras para vender produtos com até 70% de desconto. Esse fato foi preponderante para a empresa conseguir ter mais de 700 grifes em seu portfólio, sendo elas internacionais, como Lacoste, Tommy Hilfiger e Guess ou brasileiras, como Reserva e Dudalina.

Ipo à brasileira: a Netshoes foi a primeira empresa do País a abrir capital na bolsa americana NYSE, mesmo ainda estando longe do lucro (Crédito:Divulgação)

No ano passado, no entanto, a empresa antecipou um movimento por conta de uma experiência na Espanha. Na crise de 2008, após diversos estoques encalhados, as fabricantes diminuíram a produção de olho na nova demanda. O resultado foi outlets cada vez mais vazios. Para evitar esse problema por aqui, Bonfá passou a negociar produções exclusivas para a companhia com os seus fornecedores. Ou seja, para não depender mais da sobra, passou a ter produtos de grandes parceiros e que já representam 30% da receita da Privalia.

Um dos parceiros que produzem diretamente para a Privalia é o Grupo La Moda, dono das marcas Lança Perfume e My Favorite Thing, com faturamento de R$ 300 milhões. Com suas roupas vendidas pela Privalia há sete anos, desde 2013 a empresa percebeu que poderia desovar parte do seu estoque de matéria-prima pelo outlet. Com isso, pegou as sobras de tecido e começou a produzir modelos para serem vendidos diretamente pela Privalia. Resultado: 70% do seu estoque foi esvaziado por conta da parceria. Esse tipo de proximidade com os fornecedores resultou em outra melhoria: a diminuição do tempo de entrega. Este fato foi algo que Bonfá tentou mudar desde o seu primeiro dia na Privalia.

Como, na maioria dos casos, só recebia as roupas das grifes após a venda, as encomendas demoravam até 40 dias para serem entregues ao cliente. Tentando reverter essa situação, ou pelo menos parte dela, a Privalia construiu no ano passado um galpão de 14 mil m² onde passou a estocar os produtos, sempre de forma consignada para diluir o risco. “Hoje, metade das nossas vendas são entregues em até dez dias”, diz ele. Por conta do fortalecimento do real frente ao euro nos últimos meses, a subsidiária brasileira se tornou a maior da empresa. E foi preponderante para aumentar o valor de mercado da Privalia, que foi vendida em abril de 2016 para a companhia francesa Vente Privée.

O negócio foi estimado em € 470 milhões. Apesar da mudança de chefia, Bonfá continuou tocando o negócio. E o caminho parece estar se desenhando de maneira positiva. Segundo Pedro Guasti, CEO da consultoria Ebit, a empresa dificilmente terá uma concorrente à altura nos próximos anos:

A única que concorria diretamente com ela era a Brands Club, que foi descontinuada”, diz ele. “Seria necessário investir bastante dinheiro para concorrer com a Privalia, algo muito difícil durante uma crise.

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Fonte: Revista IstoÉ Dinheiro

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